O bichado-da-fruta continua a ser uma das principais pragas da macieira e de outras pomóideas, constituindo um dos maiores desafios fitossanitários da fruticultura.
O aumento da frequência de condições climáticas favoráveis ao seu desenvolvimento, associado à redução do número de substâncias ativas autorizadas para o seu controlo, tem contribuído para o aumento da incidência desta praga nos pomares.
O inseto hiberna durante o outono e o inverno sob a forma de larva madura (5.º instar), protegida num casulo tecido na casca do tronco ou no solo. A pupação ocorre entre março e abril, surgindo os primeiros adultos entre abril e maio. O acasalamento realiza-se, normalmente, ao crepúsculo, quando a temperatura é igual ou superior a 15 °C.
As posturas - que ocorrem geralmente sobre as folhas ou muito próximo dos frutos - verificam-se preferencialmente em noites quentes, sem vento, com temperaturas superiores a 15–16 °C, sendo o ótimo térmico próximo dos 25 °C. Das posturas emergem pequenas larvas, com aproximadamente 1 mm de comprimento, que, na primeira geração, logo após a eclosão, apresentam um comportamento "vagabundo" à procura do melhor local para penetrar o fruto. Durante este período ficam mais expostas aos Insecticidas.
Inicialmente as larvas escavam uma galeria em espiral e, à medida que crescem, alargam-na até atingirem a cavidade das sementes, das quais se alimentam. As sementes constituem uma importante fonte de proteínas e gorduras, indispensáveis para completar o desenvolvimento larvar.
O ponto de entrada da larva é facilmente identificado pela presença de uma serradura característica, inicialmente húmida e clara, tornando-se posteriormente seca e acastanhada.
Quando completam o desenvolvimento, as larvas abandonam o fruto e procuram abrigo, geralmente nas fendas da casca das árvores, onde pupam e originam os adultos da geração seguinte. Parte das larvas da primeira geração e praticamente todas as da segunda entram em diapausa, permanecendo em estado de inatividade durante seis a sete meses, até à primavera seguinte.
O bichado-da-fruta (Cydia pomonella) apresenta, em regra, duas gerações anuais, podendo ocorrer uma terceira geração em anos particularmente quentes.
A primeira geração inicia-se, normalmente, em meados de abril e prolonga-se até ao início de junho. A segunda geração ocorre entre julho e meados de agosto, podendo surgir uma terceira geração entre meados de agosto e a colheita das variedades mais tardias.
O acompanhamento e a monitorização da praga ao longo de todo o seu ciclo biológico são determinantes para assegurar uma proteção eficaz da produção.
A segunda geração corresponde, regra geral, ao período de maior risco para a cultura. Durante o verão, as temperaturas mais elevadas favorecem o desenvolvimento da praga e aumentam a atividade reprodutiva das fêmeas, que efetuam um maior número de posturas.
Após a eclosão, as larvas penetram rapidamente nos frutos, reduzindo significativamente o seu tempo de exposição aos inseticidas e dificultando o seu controlo.
Os prejuízos resultam exclusivamente da alimentação das larvas, que consomem a polpa e as sementes dos frutos. Como consequência, verifica-se a queda prematura dos frutos, perda de produção e forte desvalorização comercial da fruta atacada. Em pomares sem proteção fitossanitária, as perdas podem ultrapassar 90 % da produção.
Os frutos atacados pelas larvas da primeira geração caem, geralmente, antes da maturação.
Por este motivo, é fundamental recorrer a uma estratégia de proteção integrada, combinando medidas culturais, químicas, biológicas e biotecnológicas, de forma a reduzir os danos e minimizar os níveis de resíduos na fruta à colheita.

A monitorização é essencial para avaliar o risco de ataque e determinar o momento mais adequado para a realização dos tratamentos.
Devem ser instaladas armadilhas do tipo Delta com feromona sexual imediatamente após a floração, à razão de uma a quatro armadilhas por hectare.
Paralelamente, recomenda-se a observação direta dos frutos através da amostragem de 20 frutos em 50 árvores, permitindo determinar o nível económico de ataque. A conjugação destes dois métodos aumenta a fiabilidade da informação e melhora a tomada de decisão.
Os tratamentos devem ser programados com base nos resultados da monitorização e nos modelos previsionais de desenvolvimento da praga, sendo normalmente recomendados quando a percentagem de frutos atacados atinge 0,1–0,5 % ou quando se registam capturas de três a quatro borboletas por armadilha e por semana.
Durante muitos anos, o controlo do bichado-da-fruta baseou-se exclusivamente na aplicação de inseticidas. Atualmente, a redução do número de substâncias ativas disponíveis e as crescentes exigências dos mercados relativamente aos resíduos de pesticidas tornam indispensável a adoção de estratégias de proteção integrada, combinando diferentes métodos de controlo.
As práticas culturais desempenham um papel importante na redução das populações da praga.
A monda química e a monda manual dos frutos são recomendadas, uma vez que reduzem os locais preferenciais de postura, facilitam a penetração da calda de pulverização e contribuem para melhorar a qualidade da produção. Recomenda-se manter apenas dois a três frutos por corimbo.
Após a colheita, todos os frutos atacados devem ser retirados do pomar ou incorporados na entrelinha com recurso a uma alfaia adequada, interrompendo assim o ciclo biológico da praga e reduzindo a população para a campanha seguinte.
Outra medida complementar consiste na colocação de cintas de cartão canelado em torno do tronco das árvores no início de agosto. As larvas utilizam estas cintas como abrigo para entrar em diapausa, facilitando a sua remoção. Durante o inverno, as cintas devem ser retiradas e destruídas fora do pomar.
O controlo químico deve ser realizado de forma criteriosa e no momento oportuno, de acordo com os resultados da monitorização da praga, privilegiando a alternância de substâncias ativas com diferentes modos de ação. Para o combate ao bichado da fruta existem várias soluções no mercado entre as quais destacamos:
Para recomendações adaptadas às suas necessidades de produção não hesite em contactar a nossa equipa técnica.
Utilize os produtos fitofarmacêuticos de forma segura. Leia sempre os rótulos e a informação relativa aos produtos antes de utilizar. Em caso de dúvida, consulte os serviços técnicos da Casa Queridos.
Nota: Artigo originalmente publicado a 29 de junho de 2023 e atualizado a 07 de julho de 2026.






























